quarta-feira, 25 de maio de 2011

Luz de La Luna - Cap. II

Depois de um árduo dia de trabalho, resolvi ir para a lateral do navio. Um pé no navio, um pé para fora, a alguns centímetros da água, tocando um pouco do meu violão.
Olhei para a Lua. Lua cheia, linda e misteriosa. Com essa belíssima visão, comecei a tocar uma melodia familiar, que minha mãe cantava justamente nesses dias da fase da lua.

Oh lua que brilhas
E que irradias o meu sofrer
Tornes a voltar amanhã
Pois sem ti não sei viver.

Ilumines o mar de minha existência
E expulses toda a escuridão,
Pois no fundo do oceano
Não há tristeza, mas solidão.

Ao tocar começo a lembrar de meus tempos de criança, fecho os olhos para melhor lembrar. E, absorto em pensamentos, meu pé toca na água e eu rapidamente desperto, me segurando em algo para não cair. Percebo algumas coisa que já estava na água submergindo rapidamente ao meu lado. Achei que deveria ter sido um peixe. Deixei pra lá. Voltei a cantarolar aquela canção.
- Era tu que estavas a cantar esta bela canção, ó bravo marinheiro?
Uma mulher. Uma mulher no mar. Me assustei de tal forma que acabei por cair da lateral para o deque do navio. Fiquei meio atônito. "É só minha imaginação..." pensei. Levantei-me vagarosamente para olhar novamente. Abaixado, criei coragem e coloquei meu rosto de fora para averiguar. Fiquei totalmente paralizado. Ela estava apoiada na lateral do navio, como eu, me encarando. Era de uma beleza sem igual, rosto doce e suave, olhos penetrantes e suplicantes.
- Respondas, ó marinheiro. Eras tu que estavas a cantar aquela linda canção?
-Si... sim! - respondi ainda meio paralizado pela beleza que se encontrava diante de mim.
Ela continuava ali, só me estudando. E eu fazendo o mesmo. explorando e pesquisando cada detalhe de seu rosto, de seus cabelos, seus lábios, seu corpo, sua...
- E como se chama esta linda canção marinheiro?
-Joseph...
- Como?
- Não precisa me chamar de marinheiro, senhorita. Eu tenho um nome.
- Assim como eu.
- Então como seria o nome da senhorita em questão?
Demos breves risadas. Depois silêncio. Só se ouvia o som da brisa do oceano e do bater das águas no casco do navio. Ela me encarava como antes, mas agora com um belo sorriso em seu rosto.
- Me chamo Saphira.
- Senhorita Saphira... você poderia me responder somente uma coisa?
- De certo que sim, nobre senhor Joseph.
Mais algumas risadas. E de de novo ela me encarava com aqueles lindos olhos.
- Er... - eu ficara nervoso. Ela percebendo, riu-se mais um pouco.
- Por que motivo a senhorita ainda não me atraiu para as profundezas?
- Pela simples razão de eu ficar totalmente encantada com canções lindas como a sua. Adoro ouvir como essas doces melodias ecoam pela escuridão do céu deste mar.
- Então você sequer tentará me matar?
Ela riu consigo mesma.
- De certo que não! Não perderia a oportunidade de aprender mais sobre um universo tão apaixonante como a música.
Não parecia, mas era verdade. Eu estava a conversar com uma criatura marinha. Uma sereia. Um ser que atrai os marinheiros com suas belas canções, e depois os levam para as profundezas, onde eles são devorados até os ossos. Saphira parecia confiável a mim, mas ela era uma sereia. A qualquer momento ela poderia me matar se quisesse, mas ela não o tinha feito ainda. Eu sabia que estava correndo perigo, mas tudo valia a pena por aquela visão deslumbrante e linda.
- Agora peço-te. Me ensines a canção.
Falou como uma criança que pede alguma coisa.
- Claro! - eu disse com total disposição. Ela já demonstrava alegria e satisfação.
Seu rosto voltara a ficar cheio de ternura. Os olhos, novamente penetrantes e suplicantes. E o sorriso. Ah, de certo o sorriso mais lindo que eu já vira em minha vida inteira. "Espero que essa aula não seja tão breve... Saphira... tão linda como o alvorecer da manhã."

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